Descobri com surpresa quase nula o significado dos cogumelos cor-de-rosa no fundo de ecrã.
Tu gostas daquelas gomas fofas em forma de cogumelos distorcidos pela standartização e é neste ponto que estabeleço uma relação. Não fosse este seria outro igualmente subtil e sem propósito algum. De algum modo acabo sempre por relacionar o que quer que seja a ti. Seja por oposição, semelhança ou cumplicidade. Ou só porque sinto falta de.
Começo a desconfiar que o meu destino é remar contra a maré e quase sempre quase conseguir quase tudo.
Sinto falta das jantaradas até altas horas na casa do Algarve. A casa cheia de gente, da minha gente e da gente da minha gente. Sinto falta de estar preenchida até á última gota de sangue a circular por mim e de sentir todas as gotas a atropelarem-se efusivamente dentro de mim.
Achei que tinha escolhido as gomas cor-de-rosa para me tentar forrar por dentro em tons harmoniosos e conseguir ter uma visão pastel dos meus sapatos rasgados e muito sujos cada vez que desse um passo rumo a alguma coisa. E afinal, acho que as escolhi por serem as mais bonitas e doces, porque tu és assim. Porque eu nem gosto de gomas, independentemente da cor. Sou tentei estar próxima.
Eu tento sempre tentar ser mais, ir mais longe e chegar mais perto. E... E não sei. Não sei o que consigo porque a minha cabeça é um emaranhado de nós, as lágrimas escorrem-me teimosas pela cara sem pedirem permissão e eu fico chateada com elas e aborrecida comigo por não as saber parar antes de começarem.
Escolhi as gomas grandes na tentativa de me entupir. Talvez me pudesse engasgar e impedir o oxigénio de passar pelas minhas ou suas vias respiratórias. Eu acho que são tuas, cada parte de mim.
Tudo o que comi foram gomas grandes, fofas e cor-de-rosa. Duas ou três. Uma por cada característica chegava e ainda assim sinto que alguns Woompa Loompas fugiram da Fábrica de Chocolates e me puseram chumbinhos pelo umbigo, enquanto estava distraída e injectar-me com os dramas das séries.
E é assim que me sinto a maior parte do tempo, numa série que não foi feita para mim, encaixada ás pressas num papel que ficou sem personagem, com um peso sobre os ombros, sobre os olhos, dentro do estômago e do fígado e do coração, por cada braço e perna e dedos e narinas e nos dentes e nos joelhos, um peso, um peso que não é meu, mas que se entranhou em mim, por mim.
E tudo o que vejo nos teus olhos tristes e brilhantes quando olham para mim é o esforço de me quereres ajudar. E tu esforças-te e esforças-te por continuar a abraçar-me. Mas estás tão farta das águas que correm no meu rosto. Que explodes como um fulminante, vezes e vezes sem conta. Baixinho e de voz serena. E eu oiço-te gritar, arrancar-me a pele até chegares ao meu coração. Então num sopro de lucidez obrigas-lo a bater novamente e basta-me olhar para ti para querer que ele nunca pare de bater.
Eu só queria que o esmagasses. Que o agarrasses com força por entre os teus dedos finos e pálidos e o calasses, porque não suporto o som estridente e vibrante que ele faz propagar-se em voltas infinitas e inebriantes na minha cabeça.
E quando abro os olhos, enjoada da doçura colada ao céu da minha boca, desespero que me tomes nos teus braços e me beijes até me sufocar, porque não saberia viver de outra forma.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Eu quase sempre acredito
Quase amei a forma como choravas de saudades, senão fosse odiar os teus olhos cobertos de choro.
Quase amei o teu tom de desespero pela falta do meu toque a tocar-te, não fosse o meu desespero maior que o teu.
Quase amei todas as vezes em que sentis-te ciumes ou me odiei.
Quase amei todas as tuas palavras.
Quase amei todas as loucuras que cometi por ti e o medo de cair num abismo diferente.
Eu quase morri. Quase enlouqueci. Eu quase vivi fora de mim em busca de um coração que batia solto na tua direcção.
Eu quase fui longe de mais. Eu quase senti que perdi o rumo, que tropecei no destino e caí no caminho que escolhi.
Eu quase errei e quase sinto tudo certo ao meu redor.
Eu quase me esqueci de respirar.
Eu quase tive medo demais. Eu quase fiquei para trás.
Eu quase soube. Eu quase esqueci.
Eu quase me obriguei a fechar os olhos sem pensar.
Eu quase me consigo perdoar pelas frases que me faltam e não me preenchem no deambular seco dos meus passos.
Eu sempre amei a tua fraca forte razão de me olhar.
Quase amei o teu tom de desespero pela falta do meu toque a tocar-te, não fosse o meu desespero maior que o teu.
Quase amei todas as vezes em que sentis-te ciumes ou me odiei.
Quase amei todas as tuas palavras.
Quase amei todas as loucuras que cometi por ti e o medo de cair num abismo diferente.
Eu quase morri. Quase enlouqueci. Eu quase vivi fora de mim em busca de um coração que batia solto na tua direcção.
Eu quase fui longe de mais. Eu quase senti que perdi o rumo, que tropecei no destino e caí no caminho que escolhi.
Eu quase errei e quase sinto tudo certo ao meu redor.
Eu quase me esqueci de respirar.
Eu quase tive medo demais. Eu quase fiquei para trás.
Eu quase soube. Eu quase esqueci.
Eu quase me obriguei a fechar os olhos sem pensar.
Eu quase me consigo perdoar pelas frases que me faltam e não me preenchem no deambular seco dos meus passos.
Eu sempre amei a tua fraca forte razão de me olhar.
domingo, 23 de agosto de 2009
O número 7
Quase sete. Passaram (quase) sete. Curiosamente, o meu número preferido e mal consigo olhar para trás, fazer o ponteiro do relógio girar no sentido contrário á sua missão. Sabes, também eu queria saber porque coordenadas me guiar nestas alturas, em que fecho os olhos porque não consigo mantê-los abertos. Percebo preto, negro ou vazio, o que lhe poderei chamar? Tenho medo. Receio cair nos mesmos impasses que tu, sejas quem tiveres sido, fazes-me falta. Aposto que me perceberias agora e farias parar o rio que escorre pelas minhas faces, enquanto escrevo para ti, ou para a sombra que se infiltra em cada sorriso sincero, em cada lágrima que me escalda a alma. Tenho certeza que sim. Ou é isto a força de acreditar que foste tão maior que tudo, que posso procurar refúgio em ti sempre que me sinta menor? Talvez sejam apenas memórias criadas, factos contados e logo positivamente adulterados, sempre no melhor sentido. Ninguém nunca te colocou defeitos e sei de cor, que os tives-te, no meio das imagens turvas que ainda consegui salvar, mas prefiro assim. Guiar-me por ti, pelo que supostamente foste e pelo que ainda representas. Sinto-me hipócrita ás vezes, sabias disso também? Podes explicar-me o porquê da necessidade de me afogar em líquidos meus se á partida tudo segue o caminho que aspiro? Sinto-me desolada, incompleta e triste, ou talvez só triste e é isso suficiente para me deixar afundar no meu deserto escuro, frio e longo. Estreito, também. E já não sei se é por ti, se é por mim. Mas penso em ti quando me vejo escorregar pelas paredes grudentas dos meus medos e culpo-te a ti. Ás vezes por te invejar outras para me sentir menos pesada, outras ainda porque me fazes TANTA falta que me apetece ir a correr para os teus braços só para poder gritar contigo, só para que saibas que devias estar comigo e que a tua missão ficou incompleta. Ainda tenho muito para aprender e preciso que me ensines. Mas a viagem até ti por mais curta que seja, não tem volta e os demais aqui... acabaria por querer culpá-los também e voltar para lhes gritar que preciso de crescer rodeada deles.
Mas foi assim. És tu a minha peça central e nunca vou ser um puzzle completo. Acho que é por isso que me arrasto sem charme nem orgulho, porque só tenho 3/4 de mim para apresentar, a quem se interessar pelo meu inconstante processo de viver.
Gostava de poder voltar ao momento que a foto, em que sorris ligeira, mortificou, mas voltaria acabada e temo que pudesse não querer voltar para onde estou, onde só te posso observar através de um pedaço de papel, que não revela o mínimo de ti.
Sinto-me sobre protegida e ainda assim desamparada.
Dizer que tenho saudades tuas é pouco, mas não me ouves, não me lês, não me entendes, de qualquer modo. Ou, talvez sim, não sei como funcionam as coisas desse lado, se é que há lado, se é que existe mais algum lugar para se estar.
Quase 7 e continuo a não saber superar-te, talvez não queira, talvez precise de ficar para sempre incompleta e atracada a ti.
Mas foi assim. És tu a minha peça central e nunca vou ser um puzzle completo. Acho que é por isso que me arrasto sem charme nem orgulho, porque só tenho 3/4 de mim para apresentar, a quem se interessar pelo meu inconstante processo de viver.
Gostava de poder voltar ao momento que a foto, em que sorris ligeira, mortificou, mas voltaria acabada e temo que pudesse não querer voltar para onde estou, onde só te posso observar através de um pedaço de papel, que não revela o mínimo de ti.
Sinto-me sobre protegida e ainda assim desamparada.
Dizer que tenho saudades tuas é pouco, mas não me ouves, não me lês, não me entendes, de qualquer modo. Ou, talvez sim, não sei como funcionam as coisas desse lado, se é que há lado, se é que existe mais algum lugar para se estar.
Quase 7 e continuo a não saber superar-te, talvez não queira, talvez precise de ficar para sempre incompleta e atracada a ti.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Verniz estalado, um estalo encarnado
Olhava para o verniz estalado, sentada na cadeira quase confortável do dentista, ouvindo gargalhadas no fundo do corredor cortando a música triste e melódica a ritmar o batimento da chuva nas vidraças da enorme janela á sua frente.
Deixava-se embalar e desligava-se de um estímulo e de outro enquanto escolhia um tema menos desafiador da sua felicidade.
Esperava numa demora infindável que os assuntos pendentes e sem jeito se acabassem, que as cordas vocais se enrolassem e elas se pudessem decidir a voltar ao seu trabalho na hora marcada, uma vez que fosse. Para não poder voar com os salpicos de chuva colados ao vidro e fingir que existem soluções para um sorriso maior.
Vaguearam corpos e copos e espelhos e caminhos por entre as suas mãos, por entre a sua mente agora.
Contemplava as flores de papel mal coladas na parede, dando um ar de quarto de bebé ás paredes da sala de espera, vazia e taciturna.
-Catarina, pode entrar.
Desta vez olhando para as suas mãos de cor natural, via o verniz brilhar, escorrido uniformemente por cada unha; o sol manhoso cansado de produzir os seus 40º diários, recostando-se em cada nuvem passageira, destapando-lhe a vista.
-Não, ainda não está perfeito.
(Não duvidou. Um sorriso perfeito não se constrói.)
E pudesse eu fugir de outra forma, sem que o meu verniz estalasse, na ultrapassagem das ramagens imponentes da sala de espera azul e intacta.
E pudesse eu olhar de outra forma a chuva que se evapora nos raios de sol que me queimam agora.
E pudesse eu amar-te de outra forma, sem que o meu coração fosse esbofeteado a cada passo na direcção oposta à tua trança de menina com um sorriso perfeito.
Deixava-se embalar e desligava-se de um estímulo e de outro enquanto escolhia um tema menos desafiador da sua felicidade.
Esperava numa demora infindável que os assuntos pendentes e sem jeito se acabassem, que as cordas vocais se enrolassem e elas se pudessem decidir a voltar ao seu trabalho na hora marcada, uma vez que fosse. Para não poder voar com os salpicos de chuva colados ao vidro e fingir que existem soluções para um sorriso maior.
Vaguearam corpos e copos e espelhos e caminhos por entre as suas mãos, por entre a sua mente agora.
Contemplava as flores de papel mal coladas na parede, dando um ar de quarto de bebé ás paredes da sala de espera, vazia e taciturna.
-Catarina, pode entrar.
Desta vez olhando para as suas mãos de cor natural, via o verniz brilhar, escorrido uniformemente por cada unha; o sol manhoso cansado de produzir os seus 40º diários, recostando-se em cada nuvem passageira, destapando-lhe a vista.
-Não, ainda não está perfeito.
(Não duvidou. Um sorriso perfeito não se constrói.)
E pudesse eu fugir de outra forma, sem que o meu verniz estalasse, na ultrapassagem das ramagens imponentes da sala de espera azul e intacta.
E pudesse eu olhar de outra forma a chuva que se evapora nos raios de sol que me queimam agora.
E pudesse eu amar-te de outra forma, sem que o meu coração fosse esbofeteado a cada passo na direcção oposta à tua trança de menina com um sorriso perfeito.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
A vida que me dás em 4 segundos
E é nos 4 segundos que demoras a acordar, prendendo-te em olhares ternos e movimentos leves prolongados pela demora do meu olhar a cruzar os teus contornos e delimitações, que fazes o meu mundo girar numa centrifugação de conforto que me devolve tudo o que os meus gestos latentes vão desgastando. Fazendo-me perder a cor durante os dias sorumbáticos que passo longe do teu acordar morno, que desembrulha os meus laços de cansaço e me consome num adocicado de beijos preguiçosos que me arrastam para a composição do teu acordar fresco, quente de chuvas de Verão.
É no tom suave da tua pele e na textura das tuas primeiras palavras matinais que atinjo o cume da plenitude esboçada num sorriso de cantos circulares, onde não existe um limite recto nem correcto, mas a volta perfeita entre o teu abraço e o meu.
É no tom suave da tua pele e na textura das tuas primeiras palavras matinais que atinjo o cume da plenitude esboçada num sorriso de cantos circulares, onde não existe um limite recto nem correcto, mas a volta perfeita entre o teu abraço e o meu.
Continuar sessão, de um ponto inacabado
E SE iniciar sessão agora, a partir do ponto em que estou sem partir de novo o que sobrou de um velho, em experiência, amontoado de tristezas e insucessos de um coração novo?
E SE o mundo é meu e teu agora e SE o nós nos é uma promessa vitalícia e mais do que o crer numa verdade que pode deixar de ser constante no rolar e desenrolar dos dias moribundos de um mundo enorme para as nossas mãos e que não nos pertence. E SE eu precisar de ti, Carmo?
E SE eu tiver força agora para mudar o mundo e desfiar a linha de cetim que me aperta e compõe numa sinfonia delicada e bem disfarçada e, desfizer a imagem de dentes brancos compostos num triângulo de arestas limadas e, me soltar das garras do que tem que ser pelo óbvio e desculpável?
E SE eu não quiser continuar a ser a figura que se mantém de pés colados ao chão caminhando sempre na mesma passadeira sem destinos cruéis ou brilhantes, na espera desoladora que o tempo se acabe e atinja o objectivo de não sei quantos mil passos na mesma direcção até não ser preciso premir o botão de STOP porque a máquina se desliga sozinha e posso cair por terra, sem chão para me abraçar e permaneça direita suportada pelas paredes que me obrigam a andar sempre na mesma direcção mesmo que deixe de haver passadeira e cronómetro e possa permanecer apenas em pé, no mesmo chão, sem caminhar nem para a frente nem para trás?
E SE eu quiser ser maior do que me podem dar os estímulos ambientais que inspiro e me rodeiam e me roubam a inspiração?
E SE eu não quiser ser a metade do encaixe que me compete ser e responder a uma forma diferente mesmo que não encaixe nas caixas negras dos que me vêem cheia de luz?
E SE eu me sentir acorrentada e sufocada, sem força e a não quiser esforçar-me por um fim em que não suporto os meios e ninguém compreender na sua viril força a descoberto o significado do negro para mim?
E SE eu precisar de fugir das ideias erróneas que possam criar a partir das ideias que vos passo, porque os vossos episódios têm luminosidades e intensidades diferentes dos que quero passar na textura das palavras que quase não tenho capacidade de verbalizar e (me) expuser de um modo que me credite menos sanidade?
E SE disser que não sou nada disto, e que a minha pele é fina o suficiente para revelar o meu interior sem confissões e por isso me roubarem a razão de querer ser mais e livre?
E SE todos os SE's que se prenderem em gestos frágeis e débeis levarem a um caminho ainda mais escuro e indisposto? Com menos partículas de ar e mais toxinas expelidas pelo desgosto verde sombrio em que se mistifica o teu olhar de figura de herói possuída por uma substância irreal depositada por alguma coisa sem explicação e que se passaria numa B.D. mesmo no último balãozinho, da última página, da última série dessa colecção, e eu tiver coragem para perceber que eu sou o factor inexplicável que proporcionou a substância corrosiva que transformou o teu olhar verde liso em verde cinza e distanciou o teu elo do meu e que preferis-te tornar-te um íman de pólos iguais, para seres capaz de que ligar-te a mim, seja impossível?
E SE eu não souber explicar-te, porque não quero deixar de voar e não quiser que o sintas como um erro teu?
E SE eu não voar porque não me desamarras as asas?
E SE eu sentir que não devo, porque não me sabes dizer que não sem comungar a tua razão contra a minha, focada na tua suposta autoridade, que me afecta mesmo que não a descrimines?
E SE eu errar por achar pequena a tua ideia de mim?
E se eu não voar não por não possuir asas, mas porque tens medo de ficar num ninho demasiado grande para ti?
E SE tu não me deixas voar porque acreditas mais nos teus medos e definição de protecção, do que no íman que somos agora?
E SE eu aprender a mostrar-me mais sem querer e se não quiser esconder que não sou capaz?
E SE me disseres que não, porque tu és incapaz?
E SE eu disser que preciso de viver e me sinto morta?
E SE não sucumbires ás minhas reflexões e escalares até a um precipício carregando nas costas os detalhes da minha suposta loucura?
E SE eu morrer sem culpa e te culpares por não escalares comigo em vez de matares o meu vicio de querer voar sem asas?
E SE eu morrer por querer, por não querer viver e sentir que estou morta?
E SE eu morrer? E SE eu morrer, pai?
E SE o mundo é meu e teu agora e SE o nós nos é uma promessa vitalícia e mais do que o crer numa verdade que pode deixar de ser constante no rolar e desenrolar dos dias moribundos de um mundo enorme para as nossas mãos e que não nos pertence. E SE eu precisar de ti, Carmo?
E SE eu tiver força agora para mudar o mundo e desfiar a linha de cetim que me aperta e compõe numa sinfonia delicada e bem disfarçada e, desfizer a imagem de dentes brancos compostos num triângulo de arestas limadas e, me soltar das garras do que tem que ser pelo óbvio e desculpável?
E SE eu não quiser continuar a ser a figura que se mantém de pés colados ao chão caminhando sempre na mesma passadeira sem destinos cruéis ou brilhantes, na espera desoladora que o tempo se acabe e atinja o objectivo de não sei quantos mil passos na mesma direcção até não ser preciso premir o botão de STOP porque a máquina se desliga sozinha e posso cair por terra, sem chão para me abraçar e permaneça direita suportada pelas paredes que me obrigam a andar sempre na mesma direcção mesmo que deixe de haver passadeira e cronómetro e possa permanecer apenas em pé, no mesmo chão, sem caminhar nem para a frente nem para trás?
E SE eu quiser ser maior do que me podem dar os estímulos ambientais que inspiro e me rodeiam e me roubam a inspiração?
E SE eu não quiser ser a metade do encaixe que me compete ser e responder a uma forma diferente mesmo que não encaixe nas caixas negras dos que me vêem cheia de luz?
E SE eu me sentir acorrentada e sufocada, sem força e a não quiser esforçar-me por um fim em que não suporto os meios e ninguém compreender na sua viril força a descoberto o significado do negro para mim?
E SE eu precisar de fugir das ideias erróneas que possam criar a partir das ideias que vos passo, porque os vossos episódios têm luminosidades e intensidades diferentes dos que quero passar na textura das palavras que quase não tenho capacidade de verbalizar e (me) expuser de um modo que me credite menos sanidade?
E SE disser que não sou nada disto, e que a minha pele é fina o suficiente para revelar o meu interior sem confissões e por isso me roubarem a razão de querer ser mais e livre?
E SE todos os SE's que se prenderem em gestos frágeis e débeis levarem a um caminho ainda mais escuro e indisposto? Com menos partículas de ar e mais toxinas expelidas pelo desgosto verde sombrio em que se mistifica o teu olhar de figura de herói possuída por uma substância irreal depositada por alguma coisa sem explicação e que se passaria numa B.D. mesmo no último balãozinho, da última página, da última série dessa colecção, e eu tiver coragem para perceber que eu sou o factor inexplicável que proporcionou a substância corrosiva que transformou o teu olhar verde liso em verde cinza e distanciou o teu elo do meu e que preferis-te tornar-te um íman de pólos iguais, para seres capaz de que ligar-te a mim, seja impossível?
E SE eu não souber explicar-te, porque não quero deixar de voar e não quiser que o sintas como um erro teu?
E SE eu não voar porque não me desamarras as asas?
E SE eu sentir que não devo, porque não me sabes dizer que não sem comungar a tua razão contra a minha, focada na tua suposta autoridade, que me afecta mesmo que não a descrimines?
E SE eu errar por achar pequena a tua ideia de mim?
E se eu não voar não por não possuir asas, mas porque tens medo de ficar num ninho demasiado grande para ti?
E SE tu não me deixas voar porque acreditas mais nos teus medos e definição de protecção, do que no íman que somos agora?
E SE eu aprender a mostrar-me mais sem querer e se não quiser esconder que não sou capaz?
E SE me disseres que não, porque tu és incapaz?
E SE eu disser que preciso de viver e me sinto morta?
E SE não sucumbires ás minhas reflexões e escalares até a um precipício carregando nas costas os detalhes da minha suposta loucura?
E SE eu morrer sem culpa e te culpares por não escalares comigo em vez de matares o meu vicio de querer voar sem asas?
E SE eu morrer por querer, por não querer viver e sentir que estou morta?
E SE eu morrer? E SE eu morrer, pai?
segunda-feira, 8 de junho de 2009
T0 - Proteção - Absorção.
Quero voar para ti agora.
Quero que se apague toda a luz do mundo sorrindo por fora.
E voar para ti e voar para ti.
Quero levar soltas nas pontas dos dedos muitas canções de amor
Quero encostar-me a ti, abraçar-me a ti, enroscarem-me em ti, diluir-me em ti
Entre juras de amor, sangue e suor.
Quero amanhecer contigo sem tocar no amanhã triste do meu acordar sozinha
Quero adormecer contigo, viver contigo, plantando cada passo da nossa, da tua vida e da minha.
Quero unir as duas linhas da nossa cor e alinhavar os nossos segredos bem escondidos á superficie do teu olhar de esmalte verde mar.
Quero bordar o tecido mais banal com as cores mais tocantes e vibrantes até deixar de expressar o real e voar para ti sobre um céu sem cor, sem forma e sem ar.
Quero entrar dentro da tua pele e converter-me numa camada superior que te proteja do que te toca além de mim.
Quero inspirar o teu cheiro de flores doces e o teu sabor fresco de fim de tarde de verão sentadas num campo de alecrins.
Quero voar para ti e respirar-te de uma vez para além do que sou, sei e posso
Quero entregar-me mais e ser-te mais até roçar o impossível e tornar tudo nosso. Apenas nosso.
O chão que pisas. O ar em que te movimentas. As flores que colhes. O cheiro que distribuis uniformemente sobre o manto inteiro que sou para cobrir tudo o que és.
Quero suster-me, descontrolar-me, gritar ensurdecedoramente, arrepiar-te desde os fios de cabelo de ondas negras e prateadas até ao último mílimetro de que são feitos os teus pés.
Quero dar-te a conhecer o meu amor insano e justo cada vez que me olhares nos olhos, sem que te assustes. Ele só precisa de uns pequenos ajustes, porque se transformou num vórtice que absorve todos os detalhes do que te espelha.
Quero voar para ti. Tocar o que é nosso e respirar-te de perto, antes que o vórtice me engula só por vaidade e esqueça o que é certo.
Quero que se apague toda a luz do mundo sorrindo por fora.
E voar para ti e voar para ti.
Quero levar soltas nas pontas dos dedos muitas canções de amor
Quero encostar-me a ti, abraçar-me a ti, enroscarem-me em ti, diluir-me em ti
Entre juras de amor, sangue e suor.
Quero amanhecer contigo sem tocar no amanhã triste do meu acordar sozinha
Quero adormecer contigo, viver contigo, plantando cada passo da nossa, da tua vida e da minha.
Quero unir as duas linhas da nossa cor e alinhavar os nossos segredos bem escondidos á superficie do teu olhar de esmalte verde mar.
Quero bordar o tecido mais banal com as cores mais tocantes e vibrantes até deixar de expressar o real e voar para ti sobre um céu sem cor, sem forma e sem ar.
Quero entrar dentro da tua pele e converter-me numa camada superior que te proteja do que te toca além de mim.
Quero inspirar o teu cheiro de flores doces e o teu sabor fresco de fim de tarde de verão sentadas num campo de alecrins.
Quero voar para ti e respirar-te de uma vez para além do que sou, sei e posso
Quero entregar-me mais e ser-te mais até roçar o impossível e tornar tudo nosso. Apenas nosso.
O chão que pisas. O ar em que te movimentas. As flores que colhes. O cheiro que distribuis uniformemente sobre o manto inteiro que sou para cobrir tudo o que és.
Quero suster-me, descontrolar-me, gritar ensurdecedoramente, arrepiar-te desde os fios de cabelo de ondas negras e prateadas até ao último mílimetro de que são feitos os teus pés.
Quero dar-te a conhecer o meu amor insano e justo cada vez que me olhares nos olhos, sem que te assustes. Ele só precisa de uns pequenos ajustes, porque se transformou num vórtice que absorve todos os detalhes do que te espelha.
Quero voar para ti. Tocar o que é nosso e respirar-te de perto, antes que o vórtice me engula só por vaidade e esqueça o que é certo.
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