domingo, 23 de agosto de 2009

O número 7

Quase sete. Passaram (quase) sete. Curiosamente, o meu número preferido e mal consigo olhar para trás, fazer o ponteiro do relógio girar no sentido contrário á sua missão. Sabes, também eu queria saber porque coordenadas me guiar nestas alturas, em que fecho os olhos porque não consigo mantê-los abertos. Percebo preto, negro ou vazio, o que lhe poderei chamar? Tenho medo. Receio cair nos mesmos impasses que tu, sejas quem tiveres sido, fazes-me falta. Aposto que me perceberias agora e farias parar o rio que escorre pelas minhas faces, enquanto escrevo para ti, ou para a sombra que se infiltra em cada sorriso sincero, em cada lágrima que me escalda a alma. Tenho certeza que sim. Ou é isto a força de acreditar que foste tão maior que tudo, que posso procurar refúgio em ti sempre que me sinta menor? Talvez sejam apenas memórias criadas, factos contados e logo positivamente adulterados, sempre no melhor sentido. Ninguém nunca te colocou defeitos e sei de cor, que os tives-te, no meio das imagens turvas que ainda consegui salvar, mas prefiro assim. Guiar-me por ti, pelo que supostamente foste e pelo que ainda representas. Sinto-me hipócrita ás vezes, sabias disso também? Podes explicar-me o porquê da necessidade de me afogar em líquidos meus se á partida tudo segue o caminho que aspiro? Sinto-me desolada, incompleta e triste, ou talvez só triste e é isso suficiente para me deixar afundar no meu deserto escuro, frio e longo. Estreito, também. E já não sei se é por ti, se é por mim. Mas penso em ti quando me vejo escorregar pelas paredes grudentas dos meus medos e culpo-te a ti. Ás vezes por te invejar outras para me sentir menos pesada, outras ainda porque me fazes TANTA falta que me apetece ir a correr para os teus braços só para poder gritar contigo, só para que saibas que devias estar comigo e que a tua missão ficou incompleta. Ainda tenho muito para aprender e preciso que me ensines. Mas a viagem até ti por mais curta que seja, não tem volta e os demais aqui... acabaria por querer culpá-los também e voltar para lhes gritar que preciso de crescer rodeada deles.
Mas foi assim. És tu a minha peça central e nunca vou ser um puzzle completo. Acho que é por isso que me arrasto sem charme nem orgulho, porque só tenho 3/4 de mim para apresentar, a quem se interessar pelo meu inconstante processo de viver.
Gostava de poder voltar ao momento que a foto, em que sorris ligeira, mortificou, mas voltaria acabada e temo que pudesse não querer voltar para onde estou, onde só te posso observar através de um pedaço de papel, que não revela o mínimo de ti.
Sinto-me sobre protegida e ainda assim desamparada.
Dizer que tenho saudades tuas é pouco, mas não me ouves, não me lês, não me entendes, de qualquer modo. Ou, talvez sim, não sei como funcionam as coisas desse lado, se é que há lado, se é que existe mais algum lugar para se estar.
Quase 7 e continuo a não saber superar-te, talvez não queira, talvez precise de ficar para sempre incompleta e atracada a ti.

Nenhum comentário: