Quero voar para ti agora.
Quero que se apague toda a luz do mundo sorrindo por fora.
E voar para ti e voar para ti.
Quero levar soltas nas pontas dos dedos muitas canções de amor
Quero encostar-me a ti, abraçar-me a ti, enroscarem-me em ti, diluir-me em ti
Entre juras de amor, sangue e suor.
Quero amanhecer contigo sem tocar no amanhã triste do meu acordar sozinha
Quero adormecer contigo, viver contigo, plantando cada passo da nossa, da tua vida e da minha.
Quero unir as duas linhas da nossa cor e alinhavar os nossos segredos bem escondidos á superficie do teu olhar de esmalte verde mar.
Quero bordar o tecido mais banal com as cores mais tocantes e vibrantes até deixar de expressar o real e voar para ti sobre um céu sem cor, sem forma e sem ar.
Quero entrar dentro da tua pele e converter-me numa camada superior que te proteja do que te toca além de mim.
Quero inspirar o teu cheiro de flores doces e o teu sabor fresco de fim de tarde de verão sentadas num campo de alecrins.
Quero voar para ti e respirar-te de uma vez para além do que sou, sei e posso
Quero entregar-me mais e ser-te mais até roçar o impossível e tornar tudo nosso. Apenas nosso.
O chão que pisas. O ar em que te movimentas. As flores que colhes. O cheiro que distribuis uniformemente sobre o manto inteiro que sou para cobrir tudo o que és.
Quero suster-me, descontrolar-me, gritar ensurdecedoramente, arrepiar-te desde os fios de cabelo de ondas negras e prateadas até ao último mílimetro de que são feitos os teus pés.
Quero dar-te a conhecer o meu amor insano e justo cada vez que me olhares nos olhos, sem que te assustes. Ele só precisa de uns pequenos ajustes, porque se transformou num vórtice que absorve todos os detalhes do que te espelha.
Quero voar para ti. Tocar o que é nosso e respirar-te de perto, antes que o vórtice me engula só por vaidade e esqueça o que é certo.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
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