E SE iniciar sessão agora, a partir do ponto em que estou sem partir de novo o que sobrou de um velho, em experiência, amontoado de tristezas e insucessos de um coração novo?
E SE o mundo é meu e teu agora e SE o nós nos é uma promessa vitalícia e mais do que o crer numa verdade que pode deixar de ser constante no rolar e desenrolar dos dias moribundos de um mundo enorme para as nossas mãos e que não nos pertence. E SE eu precisar de ti, Carmo?
E SE eu tiver força agora para mudar o mundo e desfiar a linha de cetim que me aperta e compõe numa sinfonia delicada e bem disfarçada e, desfizer a imagem de dentes brancos compostos num triângulo de arestas limadas e, me soltar das garras do que tem que ser pelo óbvio e desculpável?
E SE eu não quiser continuar a ser a figura que se mantém de pés colados ao chão caminhando sempre na mesma passadeira sem destinos cruéis ou brilhantes, na espera desoladora que o tempo se acabe e atinja o objectivo de não sei quantos mil passos na mesma direcção até não ser preciso premir o botão de STOP porque a máquina se desliga sozinha e posso cair por terra, sem chão para me abraçar e permaneça direita suportada pelas paredes que me obrigam a andar sempre na mesma direcção mesmo que deixe de haver passadeira e cronómetro e possa permanecer apenas em pé, no mesmo chão, sem caminhar nem para a frente nem para trás?
E SE eu quiser ser maior do que me podem dar os estímulos ambientais que inspiro e me rodeiam e me roubam a inspiração?
E SE eu não quiser ser a metade do encaixe que me compete ser e responder a uma forma diferente mesmo que não encaixe nas caixas negras dos que me vêem cheia de luz?
E SE eu me sentir acorrentada e sufocada, sem força e a não quiser esforçar-me por um fim em que não suporto os meios e ninguém compreender na sua viril força a descoberto o significado do negro para mim?
E SE eu precisar de fugir das ideias erróneas que possam criar a partir das ideias que vos passo, porque os vossos episódios têm luminosidades e intensidades diferentes dos que quero passar na textura das palavras que quase não tenho capacidade de verbalizar e (me) expuser de um modo que me credite menos sanidade?
E SE disser que não sou nada disto, e que a minha pele é fina o suficiente para revelar o meu interior sem confissões e por isso me roubarem a razão de querer ser mais e livre?
E SE todos os SE's que se prenderem em gestos frágeis e débeis levarem a um caminho ainda mais escuro e indisposto? Com menos partículas de ar e mais toxinas expelidas pelo desgosto verde sombrio em que se mistifica o teu olhar de figura de herói possuída por uma substância irreal depositada por alguma coisa sem explicação e que se passaria numa B.D. mesmo no último balãozinho, da última página, da última série dessa colecção, e eu tiver coragem para perceber que eu sou o factor inexplicável que proporcionou a substância corrosiva que transformou o teu olhar verde liso em verde cinza e distanciou o teu elo do meu e que preferis-te tornar-te um íman de pólos iguais, para seres capaz de que ligar-te a mim, seja impossível?
E SE eu não souber explicar-te, porque não quero deixar de voar e não quiser que o sintas como um erro teu?
E SE eu não voar porque não me desamarras as asas?
E SE eu sentir que não devo, porque não me sabes dizer que não sem comungar a tua razão contra a minha, focada na tua suposta autoridade, que me afecta mesmo que não a descrimines?
E SE eu errar por achar pequena a tua ideia de mim?
E se eu não voar não por não possuir asas, mas porque tens medo de ficar num ninho demasiado grande para ti?
E SE tu não me deixas voar porque acreditas mais nos teus medos e definição de protecção, do que no íman que somos agora?
E SE eu aprender a mostrar-me mais sem querer e se não quiser esconder que não sou capaz?
E SE me disseres que não, porque tu és incapaz?
E SE eu disser que preciso de viver e me sinto morta?
E SE não sucumbires ás minhas reflexões e escalares até a um precipício carregando nas costas os detalhes da minha suposta loucura?
E SE eu morrer sem culpa e te culpares por não escalares comigo em vez de matares o meu vicio de querer voar sem asas?
E SE eu morrer por querer, por não querer viver e sentir que estou morta?
E SE eu morrer? E SE eu morrer, pai?
segunda-feira, 15 de junho de 2009
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